As pulgas são insetos pequenos (1 a 8,5 mm de comprimento), desprovidos de asas, e vivem como parasitas externos de animais domésticos e silvestres e do próprio homem, alimentando-se de sangue. Algumas espécies apresentam especificidade de espécie-hospedeiro , outras em- bora apresentando hospedeiros preferenciais, podem sugar outros animais, daí sua importância na transmissão de doenças. As espécies de maior importância são: Pulex irritans é a que mais freqüentemente ataca o homem, embora também possa se alimentar de outros hospedeiros. Xenopsylla cheopis é a pulga dos ratos domésticos, e é a principal transmissora da peste bubônica e do tifo murino ao homem. Foi introduzida em todos os países do mundo com o rato preto (Rattus rattus) e ratazana (Rattus norvegicus) em navios mercantes, particularmente na segunda metade do século XIX. Ctenocephalides sp: são parasitas preferenciais do cão e do gato.

Tunga penetrans vulgarmente conhecida como “bicho-de-pé”. Geralmente ocorre em solos arenosos. Os principais hospedeiros são: porco, homem, cão e gato. No homem, prefere penetrar principalmente na sola plantar, calcanhar, canto dos dedos ( dos pés e das mãos), etc.
Em geral as pulgas se movimentam bastante e suas patas posteriores estão adaptadas para saltarem de 17 à 20 cm verticalmente e 35 à 40 cm horizontalmente (menos a espécie Tunga penetrans).

São insetos muito sensíveis às variações externas de temperatura e umidade

A pulga passa por quatro estágios de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. Em condições favoráveis de temperatura, umidade e alimentação e dependendo da es- pécie, o ciclo vital de ovo à adulto pode se completar de 3 à 4 semanas. O acasalamento geralmente ocorre no animal hospedeiro.
Cada pulga, dependendo da espécie, põe em várias posturas seis ou mais ovos, perfazendo 500 a 600 em toda sua vida, com apenas um acasalamento inicial. Os ovos normalmente são depositados no habitat ou no próprio hospedeiro e por não serem pegajosos caem ao solo, dentro do ninho ou cama dos animais, nos tapetes e outras áreas preferidas pelas animais ou do próprio homem. Os ovos eclodem no período de 2 à12 dias, dependendo da temperatura e umidade. Em temperaturas baixas podem permanecer neste estágio por até um ano.
As larvas são pequenas, vermiformes, e são encontradas dentro das residências entre as fendas do taco no assoalho, no rodapé, tapete, carpete, cantos de cama, etc.; e fora das residências em canis, ninhos de animais, caixas de areia, etc.
Elas se alimentam de quase todo tipo de resíduos orgânicos, especiamente de fezes de pulgas adultas. No fim de um período de 9 à 20 dias tece um casulo de seda com incrustações de grãos de poeira, formando-se a pupa. O perío- do pupal varia de 7 à 14 dias e, em condições desfavoráveis pode durar até um ano antes do adulto abandonar o casulo. Este fato explica quando uma residência que ficou vazia durante algum tempo pode estar fortemente infestada de pulgas no retorno de seus moradores. O aumento de umidade, temperatura e a vibração podem ser estímulos para o adulto emergir do casulo.
Os adultos estão prontos a se alimentar em 24 horas após a emergência do casulo. A cópula ocorre após o primeiro repasto sangüíneo.
A longevidade do adulto é muito variável, dependendo da espécie, do estado ali- mentar, temperatura e umidade. Por exemplo, a Pulex irritans, quando em ótimas condições, pode viver até 500 dias e a Xenopsilla cheopis, 100 dias.

Sua importância pode ser destacada em dois níveis: como parasitas propriamente ditos e como vetores biológicos.
Como parasitas destacamos as irritações cutâneas e lesões, propiciando a instala- ção de fungos e bactérias.
Como vetores biológicos destacamos a peste bubônica e o tifo murino transmitidoS através da picada da pulga dos roedores.


As casas devem ser limpas pelo menos uma vez por semana, de preferência com o auxílio de aspirador de pó, evitando assim o acúmulo de poeiras nos tapetes e tacos, a qual pode servir de alimento para as larvas;
Se o piso for de tacos ou tábuas, estes devem ser calafetados, pois as fendas existentes entre eles podem constituir criadouros para pulgas;
Deve-se manter a higiene periódica dos animais domésticos, bem como lavagem freqüente da “cama” do animal (panos, esteiras ou similares);
Deve-se observar medidas de limpeza para evitar proliferação de roedores;

Usar calçados para impedir a penetração de pulgas “bicho-de-pé”.